Érica Zíngano

para as coisas sem explicação ou no dia em que quase fiz um soneto
                                                                       
escrevo, porque o instante insiste
e a minha vida segue sempre incompleta
sou um pouco alegre, um pouco triste
– posso dizer que sou poeta?

amigo, pelas coisas fugidias,
cruzando acentos, de tempos em tempos,
sinto, muitas vezes - intento - alegrias
por passar noites e dias, ao relento.

se apago e reescrevo, se permaneço
no que desfaço, não sei, não sei
só sei que aqui eu não fico, eu passo.

escrevo – e o poeta é quase nada, mas
não escapa das palavras postas, derrocadas
por aqui apenas sei que morro!
(mais nada)


Érica Zíngano (Fortaleza, Brasil, 1980). Poeta.